sexta-feira, 6 de julho de 2007

Share of Passion - Brasil Lider Mundial


Publicado no Portal da Você S/A


Paixão pelo e no trabalho

Por Sylvio Alves de Barros Netto


Domenico de Masi lançou, no final da última década, o conceito do "ócio criativo", expressão que deu origem a um livro de mesmo nome. Segundo o sociólogo italiano, de 69 anos, é possível alcançar um nível de atividades que envolvam diversão, trabalho e estudo ao mesmo tempo.


O escritor chega a elogiar o Brasil, pela cultura do equilíbrio entre trabalho e lazer.


A obra é sucesso por aqui e tornou-se praticamente um mantra entre os menos adeptos do trabalho duro. Finalmente alguém entendeu o significado de todos aqueles dias na praia...


Um exemplo recente da aplicação da teoria do filósofo pode ser o Google, eleita em 2006 a melhor empresa para trabalhar nos EUA pela revista Fortune. A companhia permite que 20% do tempo de seus funcionários seja dedicado a projetos pessoais. Seria um benefício ou o reconhecimento formal de que as pessoas já fazem isso, talvez até em maior proporção, no horário comercial?


Algumas corporações tentam limitar o acesso à web, represando um rio com fluxo em crescimento exponencial. Uma pergunta aos profissionais de recursos humanos: haverá concreto suficiente para a represa, ou está na hora de preparar os surfistas para essa onda? Sim, há rios com ondas, e adivinha de quem é o recorde de permanência e distância do surfe em ondas de rio, com direito a Guinness e tudo? De um paranaense, na pororoca.


O Brasil está sempre na liderança de permanência na internet. São 21 horas e 44 minutos mensais, 15,5% à frente dos Estados Unidos, o segundo colocado. Em solo tupiniquim, já são 42,5 milhões de pessoas com algum tipo de acesso à web, segundo estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil, uma parceria entre o Ibope e o IBGE.

Somos líderes também em relação ao tempo gasto em sites de comunidades, com 20% do tempo. Os espanhóis, por exemplo, gastam 5,1%, enquanto os americanos, apenas 2,8%.


Enquanto isso, a Web 2.0 compete cada vez mais com o chamado tempo produtivo e criativo das pessoas durante o expediente. Ou a "web social" (sinônimo de Web 2.0) está finalmente se transformando no ambiente ideal para o que o sociólogo italiano chamou de atividades que envolvam lazer, trabalho e estudos ao mesmo tempo? Eu adicionaria transações à lista.


Afinal, não estamos entrando na era em que o vínculo motivacional finalmente prevalecerá sobre o empregatício? Ele sempre foi o mais importante, certo? Ou, como gostam os publicitários, era do share of passion? No final das contas, o que mais importa é a capacidade de um projeto, marca, empresa, comunidade ou produto estimular nossa paixão em trabalhar, comunicar, ajudar, compartilhar, criticar ou consumir - ações cada vez mais presentes na plataforma web, em qualquer lugar, a qualquer hora.


Motivação e paixão vão muito além do dinheiro, como bem definiu o psicólogo e consultor americano Abraham Maslow, por meio da hierarquia de necessidades, ou Pirâmide de Maslow. Esse campo nós conhecemos tão bem quanto aquele em que duas traves servem de extremidade.


Sim, é isso mesmo: temos tudo para alçar o Brasil à condição de líder, expert mundial em share of passion, principal fator que transforma a Web 2.0 de opressiva em libertadora. De dispersiva para eficiente e produtiva. De competitiva para colaborativa. De fechada para transparente. De independente para interdependente. Para esse salto, o Brasil pode ser campeão e virar o jogo. O empreendedorismo pede imaginação. Temos que ser capazes de pensar fora do quadrado. Começar do zero hoje é um diferencial. Ganhar ou perder depende só da gente.


Vamos ser os brasileiros que se apaixonam sempre e pensam grande, além daqueles que não desistem nunca!

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Rally Sustentável



Pratico Rally de moto desde a primeira edição dos Sertões em 1993. É uma grande paixão.

O esporte da oportunidade de conhecer lugares incríveis desde o interior do Brasil, Patagônia, Atacama ao Marrocos (de onde não passei no último Rally Dakar).

Estimula capacidades físicas (força e rigidez muscular), mentais (exige concentração e foco por várias horas seguidas), sensoriais (sintonia com o terreno desconhecido e muito heterogêneo a frente é fundamental), interpessoais (relacionamento com a equipe e outros competidores que, em alguns momentos podem te ajudar a sair de lugares que sozinho não conseguiria) e, por que não? espirituais (ficar sozinho consigo mesmo durante 20 dias 10 a 15 horas sobre uma motocicleta leva o seu espírito a lugares nunca navegados)

Mas, uma nova capacidade será estimulada no próximo Rally dos Sertões. A de levantar uma bandeira de responsabilidade social e de sustentabilidade.

Competiremos (eu e o Fabricio Bianchini) pela primeira vez, a maior prova Off Road da América Latina com motos movidas 100% a álcool.

Segundo estudo recente de pesquisadores suíços, publicado no jornal Environmental Science & Technology, uma única moto emite mais poluentes do que um veículo utilitário esportivo grande. Elas emitem 16 vezes mais hidrocarbonetos, três vezes mais monóxido de carbono e uma quantidade "desproporcionalmente alta" de outros poluentes do ar, quando comparadas com os carros de passageiros.

Com uma frota atual de 8 milhões contra 22 milhões de veículos podemos inferir que o volume de hidrocarbonetos lançados na atmosfera pelas motos em circulação é cerca de 6 vezes maior !!!

Não me surpreenderia se esta conta dobrasse ao adicionarmos a equação os cerca de 15% de motores flex da frota de carros e as condições precárias de manutenção e fiscalização da frota de duas rodas.

Segundo Roberto Stein, executivo da Delphi, o motor de uma moto transformado para rodar 100% a álcool consome 20% a mais que a gasolina enquanto nos carros esta relação é de 30%. Desta forma, a economia para os motociclistas é maior que a dos motoristas. Na ponta do lápis, a economia pode chegar a R$ 5,40 por dia ou R$ 100,00 por mês, valor suficiente para pagar a prestação de uma moto. Argumento deveras convincente para a turma das duas rodas que sobrevive dos malabarismos diários no trânsito dos grande centros.

A transformação é muito barata (exige principalmente alteração de regulagens como ponto de ignição e carburação e poucas peças como a vela) numa situação rara em que todo mundo sai ganhando e o meio ambiente agradece (os olhos e pulmões da Stella também).

“Com a queima do combustível de origem orgânica, como álcool e biodiesel, devolvemos à atmosfera o que foi retirado da própria natureza. Consumir combustível fóssil (petróleo e gás) é queimar carbono que já estava imobilizado na natureza, o que significa uma quantidade extra de monóxido na atmosfera, provocando desequilíbrio no meio ambiente (efeito estufa, chuva ácida)”, explica o engenheiro agrônomo Francisco Lange Júnior, sócio da Liga Ambiental.


Nossa empreitada foi incentivada e é patrocinada pela Infinity Bio Energy.
A Cia. têm como principal estratégia gerar eficiência na cadeia da indústria sucroalcoleira. Com processos modernos e sustentáveis, como a não queima de lavouras, a iniciativa de pouco menos de um de existência demonstra que é possível e necessário repensar e reinventar as cadeias de negócios.

Tenho a firme convicção de que nos últimos anos houve mais invenções tecnológicas do que nossa capacidade de empreendê-las. Talvez elas sejam necessárias para nos prepararmos par o mundo sustentável.

Uma questão “tostinesca” : O mundo está prestes a assistir um salto de produtividade e eficiência porque criou as ferramentas para tanto ou porque é necessário para continuarmos existindo?

sábado, 23 de junho de 2007

Tá indo prá onde?


Ontem encontrei um grande amigo que considero uma das pessoas mais sensíveis que já conheci.
Fiquei surpreso ao vê-lo atordoado, atormentado pela sua rotina estressante. Não tinha tempo para nada. Recomendei uma leitura (Deepak Chopra). Nem pensar. Como? Ele não tinha tempo para nada.

É interessante ver como às vezes entramos em ritmo frenético consumido por nossa rotina de atender compromissos profissionais, pessoais, familiares, financeiros, físicos, médicos, sociais e acabamos esquecendo de perguntar o principal. Para onde tudo isto está me levando?

A resposta mais fácil, em última análise, é a morte. Sem dúvida (não há perguntas desta vez) estamos indo para a morte. A questão do quando é quase um detalhe.

Então nossa existência se resume a jornada entre este momento e o final da mesma existência?

Sim. E qualquer lugar que você queira chegar antes será pura ilusão.

As pessoas buscam constantemente segurança. “Quando eu tiver X milhões estarei seguro, serei financeiramente independente e poderei me aposentar, aí poderei fazer o que realmente desejo”. O apego ao dinheiro criará sempre insegurança, por mais que você o tenha no banco.

“Desvincule-se dos resultados. Ou seja, desista do apego rígido a um resultado específico para viver na sabedoria da incerteza. Desfrute todos os momentos da jornada da sua vida, mesmo sem saber quais serão os resultados” Deepak Chopra

Então, o que realmente vale é a qualidade da nossa existência? Vale o processo e não o produto? Vale a capacidade de fazer e não o que foi feito?

Metas atingidas serão meros instrumentos de afirmação da capacidade de atingi-las? Instrumentos de expansão da capacidade de atingi-las?

A pior coisa que podemos fazer com nossos filhos e dar algo para eles, deixá-los apegar pelas coisas sem a correta relação com a forma e capacidade de atingi-las.
Bill Gates, o homem mais rico do mundo justificou a doação de grande parte de sua fortuna com o argumento de que não achava saudável que seus filhos começassem a vida com 40 bilhões e dólares.
A melhor coisa que podemos fazer ao educar nossos filhos é ajudá-los a descobrir o seu talento único, individual e não o de ser um sucesso na escola ou freqüentar as melhores faculdades na busca de agradar os outros. Meditem desde cedo e aprendam a ouvir sua voz interior com o seu talento e as oportunidades que ele terá no universo.

Como está sua Jornada?

Matthew Kelly escreveu O Ritmo da Vida.

No livro, o autor de 32 anos que da palestras desde os 19, procura defender que a energia é o nosso recurso mais valioso, não o tempo. A energia é criada por um senso de propósito – o de nos tornarmos a melhor pessoa que podemos ser e criarmos um modo de vida que integre e harmonize as nossas necessidades legítimas, os nossos desejos profundos e os nossos talentos. O resultado é paixão e energia.

Se estivermos nos sentindo deprimidos, exaustos, temerosos, ansiosos, defensivos talvez estejamos fazendo mais força do que o necessário. Talvez não estejamos em sintonia com o ritmo adequado. E qual o ritmo adequado? Qual o ritmo da vida? Olhe a sua volta...

“Se você observar a natureza, verá que ela depende do mínimo esforço em seu funcionamento. A grama não se esforça para crescer; apenas cresce. O peixe não tenta nadar; apenas nada. Os pássaros não tentam voar; apenas voam.


Essa é a nossa natureza intrínseca. É da natureza dos bebês o estado de graça. É da natureza da Stella piscar e reluzir.


“Quando passar a focalizar seu verdadeiro propósito de vida... ao expressar seus talentos singulares para satisfazer às necessidades de seus semelhantes, você receberá tudo o que quiser e quando quiser” Deepak Chopra.

Estou convicto de que encontramos riqueza e abundância ao sincronizarmos e sintonizarmos nossos talentos únicos (e são realmente únicos) com os de outras pessoas e, ao expandir as possibilidades individuais, gerar valor em cadeias estabelecidas ou reinventar novas. O mundo precisa e sempre precisará ser reinventado para acomodar todas as jornadas.

O grande paradoxo é que para identificarmos oportunidades aos nossos talentos individuais precisamos estar o mais sintonizado possível conosco e com o que está ao redor.

Normalmente os momentos de crise nos prendem em cenários passados frustrantes ou cenários futuros alienantes e não ao cenário do presente precioso.

terça-feira, 19 de junho de 2007

A Cauda Longa da Informação


Cris Anderson, da Wired escreveu A Cauda Longa a partir do sucesso de um artigo do mesmo nome na revista.

O autor procura fundamentar no livro o processo de transição no marketing de massa para o marketing de nichos ou da cauda longa da curva de demanda, até definida como a escolha infinita. Segundo o editor de uma das mais respeitadas publicações sobre tecnologia, a digitalização dos conteúdos expandiu para “próximo do infinito” o espaço de estocagem antes limitado as prateleiras físicas.

Saímos do mundo da escassez dos átomos para o mundo da abundância digital. A Amazon é capaz de estocar quase todos os títulos de CD’s, DVD’s e livros indexados por temas e afinidade algo impensável no mundo dos átomos.

A famosa regra dos 80/20 (20% dos produtos representam 80% do volume de vendas) não se aplica ao mundo digital e, na verdade, existia mais por uma limitação dos espaços (para os 20% mais vendidos) que acabavam realimentando a regra.

Na Amazon, 98% de seus 100 mil livros mais importantes geraram pelo menos uma venda por trimestre. A Netflix (empresa de aluguel de DVDs na Internet) aluga 95% de seus 55 mil títulos no mínimo uma vez por trimestre.

A indústria mais afetada (antecipando o que deve acontecer em quase todas) por esta mudança de perfil de consumo talvez seja a fonográfica.

Em 2000 os 5 álbuns mais vendidos nos EUA representaram 38 milhões de cópias. Em 2005, os cinco álbuns chegaram a metade disso.

A mídia já não é capaz de mobilizar ou influenciar tanto quanto antes e, este grau de influência está em queda livre (No acumulado de janeiro a maio deste ano, o total de televisores ligados na Grande São Paulo no horário nobre foi de 61,6%, contra 64,1% no mesmo período de 2006, uma queda de 4%). Esta queda é proporcional ao crescimento e penetração da Internet.

As pessoas estão fazendo suas próprias playlits ou por influência de amigos e comunidades de afinidade, ou porque simplesmente podem agora comprar só uma música de um grupo que adorava na infância e tinha esquecido que existia (as vendas de CDs caíram 20% depois do iPod).

Se a mídia já não é mais capaz de influenciar na mesma proporção de antes as pessoas a ouvirem sucessos musicais, será que o mesmo já não tende a acontecer aos hits de informação políticos, sociais, comportamentais e econômicos? Será que as pessoas não farão seus próprios playlists ou seleções de notícias e suas fontes? Será que não estamos prestes a sair da manipulação em massas para a conscientização em nichos?


Quantos jovens que você conhece lêem jornais? Recente pesquisa nos EUA demonstra que as crianças estão tendo acesso aos gadgets tecnológicos cada vez mais cedo.

Assim como num futuro bem próximo já serão maioria os cidadãos que não vão querer que ninguém diga para eles o que ouvir, os cidadãos do futuro não vão querer que ninguém diga para eles o que ler ou qual o assunto da pauta. Quem fará a pauta serão eles. As pessoas estão começando a reassumir o controle de sua atenção, ou pelo menos a valorizá-la mais.

Então qual a ordem a se estabelecer? Será uma nova ordem anárquica? Será a organização da anarquia?

A alternativa para deixar as pessoas escolherem é escolher no lugar delas? Limitar as escolhas ou organizá-las de modo que não sejam opressivas?

Organizadas de maneira inadequada, as alternativas são opressivas; expostas de maneira apropriada, as escolhas libertadoras. A Web semântica já é um ensaio nesta direção.

Vou abandonar meu estilo provocador das perguntas e arriscar uma falta de humildade com um palpite:

O futuro da informação será auto organizado em diretórios de temas legitimados por comunidades. Quanto maior e mais relevante a comunidade em torno de um tema, maior será o seu sucesso. Uma coisa já implica a outra. A audiência já é legítima no mundo bi-direcional. No mundo da informação gerada e gerida de muitos para muitos.

Os principais valores destes diretórios serão a transparência, consistência e interdependência.

Mas, o maior de todos os valores em contraponto a o que assistimos hoje, é a continuidade.

A falta de continuidade dos meios de imprensa hoje é o grande fator de manipulação da opinião pública. A indústria das manchetes e escândalos acaba gerando uma sensação de ansiedade e dificuldade em gerar opinião sobre o que é realmente transparente. Está cada vez mais difícil enxergar a real transparência por traz das falsas pretensas transparências.

Viciada por sua própria estratégia de maximizar escândalos para atrair leitores, a imprensa acaba perdendo a credibilidade e capacidade de se ater aos reais fatos. Acaba também sendo vítima de manipulação já que novos fatos são artificialmente criados para abafar velhos.

Como nas prateleiras de átomos, as notícias têm, nos meios tradicionais de mídia limite de estocagem. Os jornais não podem acompanhar fatos velhos por que os espaços são limitados e priorizados aos fatos novos.

Os diretórios também serão capazes de expor não só opiniões de jornalistas como de colaboradores e pessoas comuns.


Alguns diretórios já acontecem:

Política: http://www.sunlightfoundation.com/blog (Em breve no Brasil)

Meio Ambiente: http://www.imazon.org.br/


Qual a sua Playlist?

Gente Interligada


Brasil deve atingir base de 37 milhões de internautas até o final de 2007


Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!


Número do estudo Indicadores de Mercado representa um aumento de 4 milhões de internautas em relação ao primeiro trimestre de 2007.
O Brasil deve encerrar o ano de 2007 com uma base de 37 milhões de internautas acessando a web tanto a partir de residências, quanto escolas, cibercafés e escritórios, segundo previsão do IAB (Interactive Advertising Bureau) Brasil. O número vai representar um aumento de 4 milhões de internautas em relação ao primeiro trimestre de 2007, quando 33 milhões de brasileiros estavam conectados à grande rede, de acordo com dados do Ibope/GNett.Os dados fazem parte da primeira edição do estudo Indicadores de Mercado, que reúne dados compilados pelo IAB Brasil em parceria com a IDC Brasil, com o Ibope/Netratings e com o Projeto Intermeios.O estudo revela ainda que o número de internautas no País aumentou em cerca de 1 milhão entre o primeiro trimestre de 2006 e o primeiro trimestre deste ano.Segundo Lilian Viana, diretora do comitê de marketing da IAB Brasil, o cenário econômico favorável é uma das razões para as projeções otimistas em relação ao crescimento de internautas neste ano. “Temos ainda eventos importantes, como o Pan, e os programas de inclusão digital do governo”, lembra a executiva.


A pesquisa estima ainda que o mercado brasileiro de publicidade online deve movimentar 470 milhões de reais até o final do ano, o que representará um aumento de 30% sobre os gastos com propaganda na web em 2006.A IAB Brasil pretende ainda elevar a participação da internet no bolo de ivestimentos publicitários dos 2,07%, em 2006, para 3,5% até o final de 2009.Para a base de usuários residências, que foi de 15,8 milhões de internautas em abril de 2007, segundo dados do Ibope/Netratings, a estimativa do IAB Brasil é de 18 milhões de usuários ativos até o final do ano.Os números do estudo Indicadores de Mercado serão atualizados mensalmente e publicados no site do IAB Brasil, servindo como referência do mercado de internet brasileiro.


Brasil atinge 105 milhões de celulares em maio, segundo Anatel




Por Redação do Computerworld


Número supera o de maio de 2006, quando operadoras acrescentaram 1,79 milhão de novos usuários. este ano foram 2,21 milhões.
O Brasil alcançou 105,09 milhões de usuários de celular no mês de maio, um aumento de 2,21 milhões em relação ao mês anterior. O crescimento foi ainda maior que no mesmo mês do ano anterior, quando foram adicionados 1,79 milhão de clientes.Os números, ainda preliminares, informados pelas operadoras à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), marcam a volta da agressividade das operadoras no Dia das Mães deste ano, considerada a segunda data mais forte do comércio.Além da Claro, que continua a oferecer celulares gratuitos para os novos clientes de pós-pago, a Vivo também promoveu campanhas agressivas, com aparelhos a partir de 10 reais, enquanto a TIM reduziu o preço das ligações entre seus clientes.O crescimento anual do total de assinantes frente ao registrado no mesmo mês de 2006 foi, no entanto, de 13,76%, bem inferior aos índices de crescimento próximos de 40% que se verificava há um ano.Os dados consolidados com a participação de mercado conquistada por cada uma das operadoras deverão ser divulgados pela agência até o final deste semana.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Web Semântica


Segundo a Wikipedia, a Web semântica é uma extensão da Web atual, que permitirá aos computadores e humanos trabalharem em cooperação. A Web semântica interliga significados de palavras e, neste âmbito, tem como finalidade conseguir atribuir um significado (sentido) aos conteúdos publicados na Internet de modo que seja perceptível tanto pelo humano como pelo computador.


No último dia 28 de maio, aconteceu em San Jose na California a 2007 Semantic Techonology Conference. A indústria da semântica cresce a passos largos. O evento teve uma platéia extremamente heterogênea com representantes de desde novos negócios em Web até representantes da NASA, Department of Defense, US Air Force, Stanford University, Lockheed Martin, Boeing, Ford Motors, Microsoft, IBM, Oracle, Sun Microsystems, Google and Walmart.

O primeiro dia do evento tratou da chamada OWL (Web Ontology Language), uma evolução das linguagens de programação que procura padronizar metadados ou dados indexando dados. Uma busca de padronização das linguagens que estarão por traz da web semântica.


Andrew Schain, CTO da NASA, falou sobre seu desafio de organizar e indexar o volume de dados da instituição. Ele terminou sua apresentação com o caminho que a instituição escolheu como tecnologia que seria uma versão em código aberto (Até na NASA). the beta stage RDF data browser Jspace (só para os entendidos, e eu não estou entre eles).

Um representante do Yahoo (Dave Beckett) falou sobre os primeiros movimentos da Cia. em direção a Web Semantica em seus já conhecidos diretórios como filmes, finanças, alimentos e underground.


A maioria das apresentações tratou de tecnologias de semântica em vários tópicos como saúde, busca, justiça criminal, publicação legal.


TextDigger, uma empresa especializada em busca semantic apresentou o case da CNET (Site de avaliação de gadjets onde eu decidi qual laptop comprar). Para incrementar pageviews e receita, eles combinaram o sistema estatístico atual de filtro colaborativo de produtos dependente do volume de pessoas que fazem reviews com um novo usando equivalência semântica e procuram comparar os resultados na resposta aos seus usuários. O resultado foi incrível com uma aumento substancial dos clicks em links relacionados de 7.9% para 19.1%. Como resultado eles passaram a usar a solução semântica para suas recomendações de busca.


Alguns Highlights interessantes sobre o futuro da Web Semantica

Visual Knowledge é uma inciativa interessante sobre soluções visuais em video game.

Saltlux da Corea mostrou como semantica e tecnologia mobile 3G podem trabalhar juntos em ferramentas de localização.

Syntactica 's Intelligent Lexicon possibilita o usuário abstrair, sumarizar em poucos parágrafos uma longa dissertação de centenas de páginas.

Cycorp, uma iniciativa do governo Americano mostrou um mecanismo de data miming para informações sobre terrorismo que podem responder com sucesso a perguntas específicas como: "were there any attacks on targets of symbolic value to Muslims in 1987 that coincided with a Christian holy day".

No final das contas, encontrar soluções eficientes para organizar informações é prioridade dentro ou fora das grandes ou pequenas empresas hoje no mundo. A Internet tem sem dúvida grande utilidade, mas deve ganhar muito em usabilidade nos próximos anos com quebras de paradigmas (recentes é verdade) principalmente no terreno da semântica.

Antes do Google, nossa referência de busca eram os diretórios temáticos do Yahoo. será que o caminho resgata esses diretórios, indexadores do temas (um embrião da semântica) e misturar com as buscas universais inauguradas (ou maximizadas) pelo Google ?

Viva a simplicidade

Iniciativas que facilitam a vida das pessoas ganham Prêmio Philips de Simplicidade

Escolhidas entre mais de 70 idéias, ações ganham reconhecimento da Philips por terem simplificado a vida de seus usuários




Os projetos de um cartório 24 horas, um aquecedor solar de baixo custo, um reservatório de água da chuva, um sistema de ensino de matemática com material reciclado, indicadores na qualidade da educação e as ações de recuperação do centro de São Paulo foram os ganhadores da primeira fase do Prêmio Philips de Simplicidade.



Em iniciativa promovida pela multinacional holandesa, a primeira fase do Prêmio Philips de Simplicidade reconheceu 6 idéias que, de alguma forma, facilitam e beneficiam a vida dos brasileiros.

Really Early adopters


Idade média em que as crianças começam a usar eletrônicos cai para 7 anos
Por Redação do IDG Now!

São Paulo - Estudo do NPD Group revela ainda que eletrônicos para adultos são mais populares entre os pequenos que os modelos para crianças.
Pais, preparem os bolsos, pois seus filhos estão cada vez mais hi-tech. A idade média em que as crianças começam a utilizar eletrônicos de consumo nos Estados Unidos caiu de 8,1 anos, em 2005, para 6,7 anos em 2007, segundo a empresa de pesquisas NPD Group.Os primeiros eletrônicos com os quais os pequenos têm contato são as TVs e desktops, na faixa dos 4 a 5 anos, e os últimos são rádios por satélite e tocadores digitais (9 anos de idade).O maior declínio na faixa etária foi registrado no uso de aparelhos de DVD e celulares, de acordo com o NPD Group.Apesar da queda na idade dos jovens usuários, a pesquisa revelou uma ligeira redução no número geral de eletrônicos que as crianças possuem, embora em categorias como jogos portáteis, câmeras digitais, celulares e DVD players tenha sido registrado aumento.As crianças usam seus eletrônicos em média três vezes por semana, com média maior para TVs (5,8 dias), celulares (4,3 dias) e gravadores digitais de vídeo (4,1 dias).O estudo revela ainda que eles não estão para brincadeira: as versões de eletrônicos para adultos são mais populares entre os pequenos que os modelos para crianças.Os dados da pesquisa foram levantados por meio de uma pesquisa online com amostragem de representação nacional. Foram entrevistados adultos com mais de 25 anos, que vivem com crianças com idades entre 4 e 14 anos

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Mobilização


Uma bela manhã de maio no hemisfério sul.
A luz do sol nesta época do ano reflete com mais intensidade e “fotografa” o mundo como nunca. Há um brilho mágico nas coisas.
Uma praia deserta. A areia branca e fofa envolve cada passo exigindo convicção ao andar. Um homem caminha envolto em seus pensamentos. São quase 70 anos de vida.
Durante sua jornada, muitos sonhos e convicções ficaram pelo caminho. É comum pensa ele. Quantos da sua geração lutaram por suas convicções? Quantos fizeram a diferença no mundo? Não. Ele não se arrepende. Ele protegeu sua família, seus filhos.
Faltou a energia necessária? Faltou tempo? Ele esteve tão preocupado com seu dia a dia que se esqueceu de perguntar se a trajetória da sua vida o levava para onde realmente queria?
Toda vez que buscou fazer alguma coisa diferente, pensou ele, alguém ou alguma coisa o impediu. A carga tributária, o governo corrupto, as forças ocultas, a violência, a desconfiança. Não. Ele não se arrepende. O mundo é difícil. A vida é dura. Ele fez tudo que era possível. Talvez os sonhos e convicções de jovem foram reflexos de sua ingenuidade.

Enquanto ele caminhava, percebeu um vulto do outro lado da praia. O vulto abaixava-se pegava algo na areia e jogava no mar. Ao aproximar-se percebeu que era um garoto, de seus vinte e poucos anos que lançava estrelas do mar de volta ao oceano. Não havia ninguém num raio de 1 Km. Ele dirigiu-se ao garoto e perguntou o que fazia.

A maré baixou, explicou o garoto, e o sol está esquentando. Estas estrelas não vão sobreviver nestas condições.

O homem deu um sorriso: Ora meu jovem, são milhares de estrelas, você acha que pode fazer alguma diferença?

O jovem sorriu de volta, abaixou, pegou mais um espécime e, ao atirá-lo de volta ao mar, respondeu ao homem: Para esta fez.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Tiro no Pé

No último fim de semana, jornais, revistas e TV discutiam, especulavam a descreviam a Operação Navalha (continuamos viciados nos editores de realidade). Mais uma operação da Polícia Federal que desmascarou um grupo organizado de pessoas, mas desta vez se tornou emblemática - segundo o polêmico Diogo Mainardi, comentarista do Manhatan Conection e colunista da Veja - já que envolveu pessoas de praticamente todas as camadas institucionais. Empresários, donos de empreiteira, advogados, secretárias, lobistas, assessores (sempre eles) de parlamentares, órgãos responsáveis por liberação de verbas, órgãos responsáveis por fiscalização de obras e os próprios parlamentares como o presidente do Senado.

Com uma transparência impressionante, todo o fluxo de como o desvio de verbas públicas acontecia tornou-se público. É possível saber exatamente o papel de cada um, desde o presidente do Senado até a secretária do dono da empreiteira. Uma eficiência operacional digna de empresas de primeiro mundo pode-se dizer.

Apesar de nos últimos tempos, várias operações destas terem sido desnudadas, pouco de prático têm acontecido como a prisão efetiva dos responsáveis. Desde 2003, vinte grandes operações de combate a corrupção foram feitas. Somente 6%, ou 40 pessoas permanecem presas contra 785 detidas durante as operações, segundo levantamento do jornal O Globo.

Outro ponto interessante levantado pelo colunista André Perry da Veja é que esta operação estava a todo vapor com uma intensa sensação de impunidade dos seus participantes, como identificado no teor das gravações, enquanto a imprensa noticiava outras operações sendo desmascaradas com o mesmo grau de pirotecnia como a Operação Sanguessuga .

Ou seja, não parece que a imprensa têm sido capaz de inibir os corruptores divulgando esquemas de corrupção sendo desmascarados.

Mas, o que mais chamou atenção na mídia foi a preocupação em mostrar os efeitos práticos da corrupção. As imagens dos envelopinhos recheado passando de mãos flagradas por câmeras de seguranças estão sendo expostas ao lado de famílias sem água e luz isoladas em áreas inóspitas. Estima-se em 1.5 bilhão de reais o valor deixado na mesa da corrupção na economia do Brasil. Já existe uma intenção de mostrar conexão de causa e efeito, talvez o melhor formato de impactar a opinião pública.

Recentemente, uma campanha sobre pirataria foi veiculada nos cinemas e TV. O filme procura interligar o ato (crime) de comprar filme pirata ao crime de assalto no transito, uns dos mais freqüentes atos de violência do nosso tempo. Causa e efeito são colocados lado a lado de forma impactante, procurando inibir o ato de comprar filmes piratas, a primeira vista um ato inofensivo. O filme Traffic com o Michael Douglas também foi um clássico ao explicitar as relações de causa e efeito do mundo das drogas nos EUA.

Sim, parece que estamos aos poucos percebendo que há mais interligações entre as coisas do que somos capazes de perceber. Na verdade, tudo está relacionado. Nós é que com tempo perdemos a capacidade de perceber as conexões.
Se estivermos realmente ligados a nossa essência espiritual, experimentaremos desconforto ao comprar coisas de origem duvidosa, desmatar áreas com árvores seculares ou investir em ações de empresas claramente danosas ao meio ambiente ou que lucram com guerras?

A espiritualidade também traz um senso de pertencer a algo maior. Um senso de que individualmente podemos fazer a diferençam em contraste a baixa auto-estima de fazer porque todo mundo faz ou de achar que não fazemos diferença individualmente ou até de fazer porque alguém iria acabar fazendo.

A tecnologia e o ciberespaço são grandes aliados dessa emancipação do Ser Humano. Elas trazem espiritualidade na medida em que conectam pessoas e informações explicitando nossa interdependência, a dos fatos e, ao gerar transparência. Nunca, na história da humanidade tivemos uma ferramenta tão poderosa na capacidade de comunicar muitos com muitos como a Internet.

Vamos imaginar uma interface tecnológica tão lúdica e poderosa como o Windows, o Playstation ou mesmo o Google que fosse capaz de imediatamente fazer surgir na nossa frente o efeito em cadeia de um ato como desviar recursos públicos. Como uma planilha do Excel que muda resultados a partir da alteração de valores que estejam interligados por formulas, uma tecnologia que “descobrisse” quais imagens sensibilizariam nossas mentes em tempo real (talvez pelas mais recentes buscas no Google?) sobre os efeitos de nossos atos.

Na onda da sustentabilidade, as calculadoras de impacto pessoal de carbono são uma prova interessante de onde podemos chegar.(O próprio conceito de sustentabilidade remete a conexão de tudo já que o carbono, seqüestrado ou emitido está presente em toda parte)

Imagine o Zuleido (o cabeça da “operação Navalha”), sua família e amigos sendo bombardeado em tempo real por imagens em seu celular, na tela do computador, nas TVs de sua casa, ou do seu barco das conseqüências dos desvios de verba. Imagens do futuro do país, dos seus filhos, de alguma coisa importante para ele (deve existir) que seria prejudicada em conseqüência da distribuição dos envelopes não transparentes.

Talvez a imagem mais simples de entender seria mesmo a do seu pé sangrando após ser alvejado por um tiro saído de uma arma em seu punho.

Países emergentes devem liderar inciativas de inovação

Publicado na Newsletter do TI Inside em 25 de maio.

No competitivo ambiente global de negócios, CEOs têm priorizado a inovação em suas agendas, porém têm constatado que as empresas de TI deixam a desejar em idéias visionárias e inovações.
Por outro lado, companhias que atuam em mercados altamente restritos em países emergentes como China e Índia estão inovando como nunca. E as inovações provenientes desses mercados pouco convencionais estão forçando mudanças e gerando uma nova força que não pode ser ignorada pelos mercados maduros.
A avaliação foi feita por analistas do Gartner, durante o Symposium/ITxpo, realizado na semana passada em Barcelona, na Espanha.Os analistas do instituto de pesquisas examinaram a importância crescente da inovação em países emergentes e observaram em que ponto acontece o rompimento na pirâmide, e como isso pode beneficiar os mercados mais maduros.

”No mercado global, cada vez mais centrado nos clientes, as companhias estão se afastando do modelo tradicional de inovação, que tem como base área de pesquisa e desenvolvimento interna das empresas. A tendência é que a inovação pare de vir do laboratório e comece a surgir da solução de problemas reais e como resposta para necessidades diárias, independente de quão sofisticado o mercado pode ser, com o objetivo final de enriquecer a vida das pessoas”, analisa Sandy Shen, diretor de pesquisas do Gartner.
De acordo com ele, as nações em desenvolvimento estão adotando inovação e tecnologias mais rápido do que mercados maduros por causa de três razões principais. Primeiramente, mercados emergentes têm menos legados que permitam a eles obterem saltos rápidos em tecnologias, o que torna o cenário ideal para a realização de testes. Em segundo lugar, em ambientes altamente confinados, que podem incluir infra-estruturas pobres, existe a necessidade de produtos que possam servir para melhorar o mercado local, especialmente para produtos projetados para mercados desenvolvidos. Como exemplo, Shen cita os telefones celulares, que exigem menos energia e tem conectividade interna, que segundo ele são mais apropriados para mercados emergentes do que PCs. Eles são também mais baratos do que PCs e mais adaptáveis ao ambiente dos mercados emergentes. O Gartner prevê que telefones celulares vão superar os PCs numa proporção de 15 por 1 em países emergentes até 2010. Finalmente, o analista enfatiza que países emergentes como a China e Índia têm a ambição de liderar a indústria de TI globalmente, e inovação é a única forma deles cumprirem esse desafio.Embora mercados emergentes e maduros tenham diferentes motivações para inovação, eles frequentemente obtêm o mesmo resultado. Por isso, o Gartner prevê que, até 2015, os projetos de TI nos países em desenvolvimento deverão direcionar 20% das grandes inovações em todo o mundo. Um bom exemplo, segundo Shen, é o mobile banking usado para transferência de dinheiro por meio de telefone celular, que foi a primeira inovação introduzida pelos mercados emergentes.

É mais fácil construir do zero do que reformar?

A sustentabilidade começa na relação com as pessoas

Escrito por Vicky Bloch (Vicky Bloch Associados) para o Valor Econômico em 28/05


Levamos quase 40 anos, desde que os primeiros executivos e empresários se mostraram preocupados com o desenvolvimento sustentável e criaram o Clube de Roma, em 1970, para que a idéia finalmente emplacasse nos negócios. Mais de um século antes deste acontecimento, a famosa carta do chefe indígena Seattle ao presidente dos Estados Unidos já alertava o "homem branco" para o perigo e contradição de destruir a Terra em nome da evolução da espécie.

Em 1987, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento publicou um documento intitulado "Nosso Futuro Comum", também conhecido como relatório Brundtland, segundo o qual desenvolvimento sustentável é aquele que "satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades".

Um ano depois, o líder seringueiro Chico Mendes, reconhecido internacionalmente por sua luta contra as ações predatórias na Amazônia, era assassinado. E só agora o ser humano reconhece ter chegado ao limite da irresponsabilidade ambiental.

A pergunta agora é: precisaremos ir tão longe para aprender que a perpetuação do planeta e das empresas depende, antes de tudo, de relações sustentáveis entre as pessoas?

Prover o melhor para os indivíduos, assim como para o ambiente, é praticar a sustentabilidade no seu sentido mais amplo. Qualquer empreendimento humano, seja um negócio, um clube ou uma família, só será perene se for socialmente justo e culturalmente aceito.

A escassez dos recursos naturais, as doenças endêmicas, as crises econômicas, a queda na qualidade de vida, o estresse, os distúrbios familiares são reflexos daquilo que não cuidamos até aqui e que afetam a vida das pessoas no curto, médio e longo prazos.

Numa empresa, como podemos identificar uma liderança sustentável? É aquela que atrai e retém talentos com base em relações harmônicas. São estas que garantem o compromisso com os resultados e o orgulho de cada indivíduo de pertencer à organização.

Uma equipe de sucesso, segundo definição publicada recentemente pela revista "The Economist", é formada por profissionais que reúnem competências para resolver problemas inéditos ou inventar soluções. Nunca é demais repetir o mantra, tão recitado e "esquecido" quanto foi até agora a questão ambiental: são as pessoas que fazem a diferença.

Qual será o próximo desafio para o crescimento sustentável? A conscientização das organizações de que a guerra por talentos está aberta e de que estes valiosos profissionais se conectarão mais facilmente às empresas quando perceberem nelas um investimento genuíno no longo prazo e nos relacionamentos pessoais.

Esses jovens buscam negócios com os quais possam compartilhar sua visão de mundo e seus valores de vida. Um ambiente ideal em que possam desenvolver suas carreiras de forma sustentável. Querem novos desafios e aprendizados a cada projeto.

Como atrair e reter estes talentos? O líder precisa lhes proporcionar um significado para o trabalho, uma causa que queiram seguir. Além disso, premiar justamente pelos resultados obtidos e entender que o exercício do feedback não é só um instrumento de gestão, mas um fator importante para a evolução dos indivíduos e da organização.

Em resumo, o gestor deve manter uma relação sustentável com a empresa e com as equipes. Estas, em geral, querem ter orgulho de suas lideranças. Para tanto, é preciso estar atento ao velho princípio de que discurso e prática não podem ser diferentes.

Saber acolher os erros e redirecionar os profissionais para atividades produtivas também é uma competência valiosa para os líderes.

E você, acha que tem desempenhado bem esse papel, de maneira consciente? Está satisfeito com o seu modo de liderar? Sempre é tempo para refletir e agir.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Carro Elétrico Fun

Do Portal de Notícias da Globo

Bateria de laptop impulsiona carro elétrico
Carro custa US$ 96 mil nos EUA e chega a 210 km/h. Carga de bateria realizada em casa permite que o carro rode 320 km.

Se a idéia que você tem de carro elétrico é aquele veículo aparentemente frágil usado em campos de golfe, é hora de se atualizar. Isso porque a Tesla Motors, uma fabricante com sede no Vale do Silício, aposta na fabricação de automóveis esportivos também elétricos e altamente potentes: o Tesla Roadster 100 vai de zero a 100 km/h em quatro segundos e atinge 210 km/h. Tudo isso com o uso de baterias de íon-lítio, as mesmas utilizadas em laptops. Clique aqui para ver galeria de fotos.


Tesla Roadster 100, com visual esportivo, é produzido na fábrica da Lotus Car
“Carros elétricos tiveram até agora um estilo vergonhoso, e essa tecnologia não pode ter sucesso se ninguém quiser dirigi-los. Por isso, tivemos de mudar o conceito dos carros elétricos de uma maneira radical, tornando os automóveis lindos e fazendo a experiência de dirigi-los emocionante”, diz a companhia em seu site. O resultado dos esforços é o Tesla Roadster 100, vendido por US$ 98 mil nos EUA, o equivalente a R$ 190 mil. O veículo não-poluente é montado na fábrica da Lotus Cars.


Uma única recarga na bateria faz com que o carro rode 320 km (Foto: Divulgação)

Em seu site, a companhia fundada em 2003 afirma que sua maior inovação é o “pacote de bateria”, parte que equivale ao tanque de combustível do automóvel, formada por milhares de células de íon-lítio. Além da potência fornecida por essa tecnologia, uma única carga é suficiente para que o veículo rode o equivalente a 320 km. Essa recarga pode ser feita em casa, em cerca de três horas e meia, com o kit “Estação Doméstica”, montado por um eletricista. “Um carro elétrico é como um telefone celular: não importa quanto leva para carregá-lo, desde que a bateria dure o dia inteiro. Você pluga quando chega em casa e despluga quando sai na manhã seguinte”, compara a companhia. Também há uma alternativa de recarga portátil, para viagens. Segundo a empresa, o custo de cada 1,6 km rodado fica em US$ 0,02 (R$ 0,04). Entre os executivos que investem na companhia estão Sergey Brin e Larry Page, os fundadores do Google, e Jeff Skoll, ex-presidente do site de comércio eletrônico eBay.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Al Gore Ou Nunca

O ex-futuro presidente dos EUA esteve no Brasil para apresentar “Uma Verdade Inconveniente”.

Interessante perceber como a questão da sustentabilidade entrou rapidamente na agenda dos grandes líderes de praticamente todos os setores da economia hoje. Legitimamente ou não, tornou-se relevante abordar o tema sob todos os aspectos no fórum pessoal, empresarial ou político.

A maior parte do tempo, insistentemente, o ex-vice-presidente americano trata de fundamentar o efeito que o Homem tem causado a Terra pelo crescimento populacional, pelas novas tecnologias e pelos velhos hábitos. Por exemplo a pesca feita com navios e redes de quilômetros são insustentáveis já que não há tempo da fauna se refazer.

Ele viajou para grande parte dos lugares que apresenta no mundo todo e relata os efeitos até com fotos pessoais. Alguns picos gelados não existem mais, geleiras dos Pólos estão se desfazendo e florestas estão desaparecendo. Trata também de relatos científicos com inigualável consenso (raro no mundo acadêmico científico) sobre mudanças climáticas já em efeito como o record de tempestades e tufões nos últimos anos nos EUA.

Com uma oratória impecável, Al Gore prendeu a atenção das cerca de 600 pessoas presentes durante 2 horas. Apesar de atualizada com dados do dia, a palestra do festejado filme não focou realidades brasileiras. Houve um cuidado extra do apresentador em não se envolver em questões políticas regionais, principalmente em relação a Amazônia, quando perguntado sobre o tema.

Apesar das queimadas de nossas florestas, o Brasil representa pouco em relação a emissão de carbono no mundo: 2,5% contra 30% dos EUA e 27,5% da Europa. O país foi também elogiado em relação ao investimento em energia renovável.

Apesar de totalmente envolvido com a questão ambiental, Gore não resiste a alfinetadas em seu ex-adversário político. New Orleans é citada várias vezes, com fotos recentes, que parecem tiradas durante a catástrofe, e com a comparação do custo da guerra de Bush diante de ações desejáveis em direções sustentáveis. Ele deixa muito claro que o maior responsável pela emissão de carbono no mundo é o que menos está fazendo para evitar o aquecimento global. Cita ainda o movimento a revelia do governo central, de uma centena de cidades norte-americanas em seguir o Protocolo de Kyoto.

Al Gore também fundamenta, ao final da apresentação, que já temos atualmente os recursos tecnológicos e conhecimentos necessários nas mais diversas áreas ou em todas, já que nunca foi tão unânime a questão, para revertermos a “rota de colisão da Terra”. Teríamos ainda 10 anos até o “point of no return”. Faltaria a tal vontade política, principalmente na casa dele, segundo o próprio, um recurso renovável.

Mas o que se aprendeu verdadeiramente naquela noite foi a arte de bem vender.

No final das contas, Al Gore viaja o mundo (ele está recrutando replicadores de suas palestras em vários países) como ambientalista, com a bandeira da sustentabilidade, e até ganhou o Oscar (melhor documentário) para “falar mal” do Bush, seu ex-adversário político que seria o principal adversário da implantação de ações sustentáveis já disponíveis e necessárias no país, maior responsável pela emissão de gases do mundo.

É como se o Geraldo Alkimin viajasse o mundo dando palestras sobre emissão de mensalão , sendo o Brasil responsável por 30% das emissões mundiais e os EUA 2,5% (Será ?).

É claro que se trata de uma comparação grosseira da minha parte, quase mal educada.

Está claro que o assunto da sustentabilidade é muito mais envolvente.Tem a ver com nosso espírito, com o Espaço da Terra do Pierre Levy. Com nossa existência. Com nossa essência. Já existe uma sensação de desconforto sobre nossa relação de troca com o planeta e seus recursos naturais.

Exatamente, o Al Gore foi capaz de verbalizar nosso desconforto (depois de 15 anos estudando o tema segundo ele). Com uma apresentação de dar inveja aos maiores “heavy users” de Power Point do mundo e com uma presença de palco digna da Brodway ele fala o que nós queremos ouvir. Edita uma realidade para nós. Ele sugere uma união em torno de uma causa e colaboração inter-instituições em torno de um tema. Ele sugere uma nova Inteligência Coletiva.

Um gênio do Marketing segundo os publicitários. Um messias segundo os mais entusiasmados. Um excelente político segundo os mais céticos. Um grande oportunista segundo alguns cotovelos doloridos. (Ele ganha 150 mil dólares por palestra).

A verdade é que ele se apoderou de um dos temas mais relevantes do nosso tempo, se não o mais relevante.

Isso nos faz refletir sobre este tal de EUA, país líder (não por acaso) do mundo moderno, capaz de atrair as melhores cabeças, patentes e tecnologias hoje para o “American Dream”.

O mais admirável é sua capacidade de auto-crítica (melhor do que do resto do mundo em criticar os próprios EUA). Sua capacidade de impactar, “marketear” e oportunizar (no Auditório do Ibirapuera a noite era fantástica e o fundo do auditório aberto antes da palestra tinha o parque iluminado e o céu estrelado) e de se re-inventar. Apesar das críticas de que se consideram o umbigo do mundo que no caso da liderança em emissão de gases remete a outro famoso orifício humano, os EUA são um palco inegável de sucessos frequentes.

Um país que têm uma das menores taxas de emissão de carbono do mundo e já é referência mundial em tecnologia de combustível renovável não teria muito mais legitimidade de pregar a sustentabilidade mundo a fora?

O que vale no mundo hoje é quem sai na frente? O que vale é quem se apodera de um tema antes dos outros? O que vale é quem edita a realidade antes dos outros? O que vale é quem marketea antes? Talvez, por enquanto.

Num ataque ufanista. Ainda há tempo. Vamos aproveitar esse momento de enxurrada de dólares mais produtivos e menos especulativos no Brasil.
Vamos aprender com o Al Gore (e com os EUA) a vendermos bem em vez de sermos bem comprados.

A Sociedade Brasileira Diversificou-se

No Jornal O Estado de São Paulo de 20 de Maio de 2007

Trecho da entrevista de Daniel Aarão Reis, professor de História Conteporânea da UFF com o título: "Lula representa o reformismo moderado"

"... Quem ficou órfã, de pai, de mãe e de avós, foi uma parte considerável da grande mídia formal que imaginou ainda ter um poder que já perdeu. A sociedade brasileira diversificou-se - aparecem outras mídias, tomando porporções ainda difíceis de avaliar. Em vez de chafutar no ressentimento, esta gente precisa lamber feridas e, sem perder as próprias perspectivas, abrir-se um pouco mais para o país em que vivem..."

Um sinal de reconhecimento da edição distribuida da realidade?

"... Mas é bom não esquecer que Lula, como ele próprio disse, é uma Metamorfose Ambulante.."

Colaborativo Mundo Novo


Diário IDG Now
Localizado a 200 anos-luz da Terra, planeta gravita em torno de estrela semelhante ao Sol. Descoberta teve participação de brasileiros.
A equipe científica internacional responsável pela missão do satélite CoRoT anunciou a descoberta de um novo planeta fora dos limites do sistema solar (exoplaneta) na manhã desta quinta-feira (03/0). O planeta, denominado CoRoT-Exo_1b, localizado a uma distância de 200 anos-luz (cerca de 2 quadrilhões de quilômetros) da Terra é o primeiro a ser identificado pelo satélite


Jornal Meio e Mensagem

Ricardo Lordes, presidente da Pátria publicou artigo no Meio e Mensagem sobre uma campanha publicitária criada para o Colégio Bandeirantes em que os alunos participaram ativamente do processo. A campanha foi assinada por uma menina de 15 anos, aluna do colégio. Segundo Ricardo, a principal responsabilidade da agência foi gerenciar o processo.
Livro “A Cauda Longa”

Chris Anderson, autor do livro, relata uma das maiores descobertas astronômicas do século XX, o Big Bang. Uma teoria básica sobre o funcionamento do universo foi confirmada graças a amadores na Nova Zelândia, Austrália e Chile em cooperação com físicos profissionais nos EUA e no Japão. Era o surgimento do Pro-Am. Métodos ou processos organizados em que colaboram amadores e profissionais com objetivos comuns.
Não havia quantidade suficiente de astrônomos profissionais capaz de cobrir um pedaço de céu bastante grande para garantir alguma chance de localizar o fenômeno. Surgem a partir de fevereiro de 1987 redes de pesquisa global, interligando profissionais e amadores com interesses comuns em estrelas eruptivas, cometas e asteróides.
Alguns dos oitocentos amadores da lista registram suas observações por diversão. Outros esperam imortalizar-se, dando nome a alguma descoberta importante. O notável como no Linux, é que nenhum deles exerce essas atividades por dinheiro.
Nas comunidades colaborativas para softwares de “fonte aberta”, pelos quais qualquer pessoa pode contribuir para o projeto, o mantra é: Quando existem olhos suficientes, todos os bugs são triviais. O mesmo ocorre na astronomia: Se houver observadores suficientes, em breve veremos um asteróide com o nosso nome. E bastante cedo para fazer alguma coisa. Está formada a equipe de guardiões da Terra.

Livro Wikinomics de Don Tapscott e Anthony D. Williams,

O livro começa com o exemplo da Goldcorp Inc uma mineradora do interior do Canadá. Percebendo que sua equipe era insuficiente para localizar o metal precioso, o dono ofereceu U$ 575.000,00 a quem descobrisse ouro em suas minas abrindo segredos da Cia. na Internet. Não é preciso dizer que o resultado superou em muito o risco da abertura e o investimento realizado.

Em março de 2000 foi lançado o “Goldcorp Challenge”. Cada detalhe sobre os 55.000 acres de propriedade da empresa foi revelado no site oficial da GoldCorp. Mais de 1.000 potenciais candidatos de 50 países envolveram-se com o desafio na velocidade da Internet. Em semanas, várias submissões do mundo todo chegaram a sede da empresa. Como esperado, vários geologistas envolveram-se com a questão. Mas houveram entradas de fontes surpreendentes incluindo estudantes, consultores, matemáticos, oficiais militares, todos em busca de ação.

O mais interessante da experiência, é que foi utilizado pela comunidade colaborativa recém formada recursos matemáticos, físicos, técnicos, sistemas inteligentes, gráficos e soluções orgânicas para um problema inorgânico. Enfim surgiram capacidades técnicas inéditas.

No final a comunidade foi capaz de identificar 110 locais possíveis de presença de ouro, sendo 50% deles nunca imaginado pela organização. Em 80% dos locais foi encontrado quantidades substanciais de ouro.


Serão as organizações de sucesso do futuro as que souberem reunir as maiores e melhores comunidades em torno de metas e objetivos claros?
Serão as instituições do futuro as “donas”dos processos e não dos produtos? Estaremos diante do processo da valorização do subjetivo em relação ao objetivo?
Da Inteligência Coletiva contra o padrão coletivo e o senso comum?
Da colaboração versus a hierarquização?
Do Espaço do Saber dando sentido ao fluxo contínuo do espaço das mercadorias?
Do massificado para o personalizado?
Da física clássica para a física quântica?
Do Independente para o Interdependente?
Da versão fechada para o beta permanente?
Do porto seguro para a metamorfose ambulante?
Do produto para o processo?
Do estático para o permanente?
Do surto para o perene?
Do ouvinte para o interagente?
Da assistência para a participação?
Do leitor solo para o leitor e escritor (read and write web) permanente?
Do passivo para o interativo?


Re-ligue djá


Escrito por Ricardo Guimarães para a Revista Trip . Os comentários em parênteses e os links são meus.

Em tempos difíceis como o nosso (são tão otimista que não vejo tempos difíceis). otimismo pode fazer toda a diferença na hora de aproximar pessoas e idéias.

Conexão é uma palavra moderna, mas eu prefiro re-ligação, porque dá um sentido histórico para o conectar. Religar o que foi desligado. Vejo milhões de sintomas da sociedade atual na busca dessa re-ligação. Sim, sou otimista, você sabe. Se alguém ainda não se convenceu dessa mudança, é bom dar uma olhada no livro O Ritmo da Vida – Variações do Imaginário Pós-Moderno, de Michel Mafessoli (Record). Re-ligar corpo e
espírito, espaço e tempo, terra e céu, estética e ética, razão e intuição, ordem e caos, Apolo e Dionísio, indivíduo e sociedade, cultura e natureza, sentidos e sentido. Mas não acho que, no geral, a busca dessa re-ligação seja consciente ou virtuosa. O que é muito legal. Acho que é instinto de sobrevivência da humanidade na jornada de evolução do que chamamos vida nesse planeta.

Quem tem olhos para ver, como Mafessoli, está encantado: “Moda, corpo, ecologia, esporte, música, hedonismo, imagens são as palavras-chave das novas tecnologias do cotidiano, cuidando de favorecer da melhor maneira possível a criatividade cujo objeto essencial é desfrutar do mundo que se oferece à visão e à vida. A este respeito, a Internet é uma boa ilustração de um verdadeiro re-encantamento do mundo.”
O destaque é dele. É importante ver animadamente a nova realidade que está surgindo porque estamos vindo de uma cultura de separação, de divisão, de individualismo, de materialismo, de um racionalismo utilitarista que, associado à neurótica necessidade de controle e posse, adoeceu nossa imaginação e empobreceu a vida no que ela tem de melhor: o sentido integrado aos sentidos.

O resultado dessa cultura não está apenas nos relatórios do IPCC, no terrorismo, no tráfico de drogas, mas, principalmente, no coração da maioria de nossos contemporâneos que nunca tiveram tanto medo. Medo do outro, medo do futuro, medo do planeta, medo do nosso estilo de vida, medo do progresso – meu bem, meu mal. O medo, irmão gêmeo do pessimismo, nos cega para ver a transformação que a sociedade está vivendo e nos faz gastar a preciosa energia da re-invenção, levantando muros e suspeitas, lamentando a destruição necessária dos nossos pequenos mundos de isolamento e insensibilidade.

Daí a importância do re-ligar, do estar junto de si, do outro e da natureza, porque quando se está junto, não há espaço para o medo, e a sinergia do junto re-inventa a realidade na direção de nossa felicidade. Quando falo junto não é para ficar de mãos dadas, grudado, como se re-ligar fosse coisa de religião que põe todo mundo no mesmo lugar fazendo as mesmas coisas. O junto a que me refiro não é espacial, é temporal. É no plano da consciência. É no plano da conectividade que liberta e emancipa. Mal comparando, é como o celular que permite o filho ir longe do pai com segurança porque os dois estão ligados. Tenho insistido muito que, antes de abrir o jornal, as pessoas precisam decidir se são otimistas ou pessimistas. O fato é o mesmo, mas as leituras são totalmente diferentes. O relatório do IPCC, por exemplo: o pessimista fica chocado e lamenta o aquecimento global; o otimista celebra o fato do relatório existir, portanto as pessoas, agora conscientizadas, poderão tomar as providências.
Outro dia, uma pesquisa publicada pelo jornal Valor, numa visão pessimista dizia que os jovens de hoje não são idealistas. O otimista vê no realismo do jovem atual a melhor base para construir um mundo mais eficiente e seguro.O relatório TrendWatching de semanas atrás dava pessimistamente o título de Tirania da Transparência ao fato de vivermos em tempo real. O otimista vê na transparência um cenário aliado para eliminar os bastidores que protegem os sacanas e suas sacanagens. A re-ligação permite a sintonia (como antena mesmo) com o espírito da época (zeitgeist) e liberta as pessoas da visão curta e trágica do fato sem contexto, tá ligado?
Boas conexões.Ricardo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Nova Missão do Yahoo: It’s About People


Escrito por Josh Catone / May 16, 2007 /

Google's mission statement has long been "to organize the world's information and make it universally accessible and useful." Last night, Yahoo! announced their new mission, "to connect people to their passions, communities, and the world’s knowledge." While Google emphasizes the data, Yahoo! will emphasize the people (the Google also recently debuted a new tagline: "Search, Ads and Apps," so maybe they're more about the money).
Last November, an internal memo at Yahoo! from SVP Brad Garlinghouse, dubbed the "Peanut Butter Manifesto" by the press, called on the company "to boldly and definitively declare what we are and what we are not." It seems that Yahoo! has decided that they're less about search, and more about community.
As part of the new realignment Yahoo! formed a new "Network Division," that puts "the majority of Yahoo!’s consumer-facing products," including Mail, Messenger, Groups, Bix, Flickr, Web Search, Answers, News & Information and Entertainment business units, the Yahoo.com home page and My Yahoo, under one roof. That appears to be pretty much everything.
One of the most interesting points in Yahoo!'s new vision is that they want to "leverage our assets to build the most relevant, comprehensive, dynamic, and open repository of knowledge and content on the Web." Yahoo's Executive Vice President, Jeff Weiner, who penned the announcement, emphasized that Yahoo! is excited about opening up their content to other web publishers. This is something that Yahoo! has already excelled at. The Yahoo! Developer Network offers comprehensive APIs for most of their services, and according to ProgrammableWeb, Yahoo! offers more APIs than Google, and is second among the large web properties in terms of mashups created using their technology and content.
"One of the things we’re most excited about is the concept of 'open,' and all of the potential we have yet to tap by opening up some of the most trafficked pages on Yahoo.com to the highest quality publishers on the Web, regardless of their size," says Weiner, promising more information soon. It will be interesting to see in what new ways Yahoo! plans to open their content.
Weiner says the reorganization of Yahoo! is complete, and indeed many of the things Garlinghouse called for in the "Peanut Butter Manifesto" have been done (despite Terry Semel's claim that the reorganization of Yahoo "wasn't all about peanut butter"). Some redundancies still exist in the Yahoo! network (Del.icio.us vs. MyWeb comes to mind), but the company appears to have endeavored to remove the major redundancies that pitted business units against one another.
Google will continue to dominate in search for the foreseeable future, but will focusing on people be enough to get Yahoo! back on track?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Sob Nova Direção




A revista Newsweek publicou no final do ano passado uma capa em papel prateado imitando um espelho. Anualmente a revista publica na capa uma personalidade como Homem/Mulher do ano. A personalidade do ano são os consumidores agora engrandecidos e poderosos. Munidos das ferramentas da web 2.0. blogando, produzindo, editando e publicando fotos e vídeos.

Desde a invenção da prensa por Gutemberg no século XV, fomos treinados, educados e por que não viciados aos “editores de realidade”. Todos os instrumentos de mídia sempre representaram formas de comunicação unidirecionais, de uma entidade para muitos ou no máximo bidirecionais como o telefone.






Realidade Editada

Os Jornais “decidem”quais os assuntos a serem abordados, ou que devemos ler. A TV (não importa o número ou diversidade de canais) empacota as imagens e cria uma realidade, “decidindo” o que devemos ver. O Rádio (de novo não importa a quantidade ou variedade de estações) edita e “define” o que vamos ouvir. Estamos diante de um milionésimo por cento do total.

Estamos viciados em não olhar para dentro, em não pensar por nós mesmos. Em não decidir nossa realidade. Estamos viciados nas realidades fabricadas (A Revista Caras é o maior fenômeno editorial dos últimos anos). Estamos viciados em espiar realidades criadas (O Big Brother que o diga).

Estamos “normatizados” ou “celebrizados”. Temos um comportamento de manada (as capas dos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo são invariavelmente idênticas). Tendemos a copiar aquela realidade já que estamos constantemente nutrindo nosso cérebro que são as únicas que merecem nossa atenção, ou que estamos dando atenção. Ou tentamos ser muito diferentes buscando 5 minutos de fama.


Economia da Atenção


Não existe neutralidade de nossa atenção. Quando estamos focando nossa atenção em realidades criadas, deixamos de dar atenção a nossa realidade, de nutrir nossa essência. Quando olhamos para o lado imediatamente deixamos de olhar para frente. Nosso caminho, nossa jornada, nossa real vocação na Terra estão esvaziados.


Assuma as Rédeas


Pela primeira vez na História estamos diante de um meio de comunicação de muitos para muitos: A Internet.

Na grande rede você decide o que quer ler, assistir ou ouvir. Você está no comando. A realidade está sob nova direção. O poder voltou para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Esta liberdade é incômoda. É uma emancipação do Homem.
Nos últimos 4 séculos, desde do início da Igreja Católica sempre deixamos para alguém decidir ou formar um conceito de realidade para nós. É como se estivéssemos saindo de um coma profundo (vale o exagero) e tivéssemos que reaprender a falar, andar e ouvir.


Nutrição de Imagens e Pensamentos

Ao digitar uma palavra no Google (também um editor de realidade, mais amplo e democrático mas, uma realidade rankeada pelos seus algorítimos) você acessa imediatamente um universo, uma dimensão de realidade decidida por você. São milhares de imagens, fotos ou vídeos e textos que o remetem aquele assunto. Você decidiu. As rédias são suas. As regras são suas. Você decidiu se quer ver imagens da guerra no Iraque, da guerra nos morros do Rio de Janeiro ou se decidiu pesquisar sobre iniciativas de reciclagem de água, combustíveis alternativos, ou formas de colaborar com projetos de educação assistida para crianças carentes no morro da Rocinha. E você pode ainda editar, transformar, criar sobre o já criado na também chamada Read and Write Web

Não se trata aqui de defender um polianismo do mundo maravilhoso ou de alienação da realidade. Trata-se sim de perguntar de quem é a responsabilidade de decidir de que forma e qual realidade eu quero estar em contato.

Não é preciso fazer muita força para ver notícia ruim. E com certeza se fossemos tão ruins como definidos na mídia o mundo já teria acabado a tempos. Como disse Pierre Levy, a natureza da gigantesca maioria das pessoas na Terra é do bem.

No Minha Vida partimos do princípio que todos os nossos clientes têm boa fé e são bem intencionados. Talvez sejamos mais vulneráveis aos mal intencionados? Mas temos a firme convicção que no final das contas o saldo será positivo.



Quem Somos Nós?


É um documentário que retrata uma série de depoimentos de especialistas diversos, de teólogos a cientistas sobre nossa existência. O filme usa a física quântica que basicamente rivaliza a física tradicional em relação a presença das micro partículas no espaço e no tempo.
Segundo a ciência, as partículas em dimensão microscópica, adquirem movimentos difusos que sugerem que a matéria pode estar em dois lugares ao mesmo tempo assim como em nenhum lugar. O que existem são possibilidades de presença de matéria interpretadas pelos nossos sentidos.
Sugere que a realidade como vemos é fruto de nossa interpretação e não o contrário. No final das contas nós decidimos como vemos a realidade a nossa volta. Nossos sentidos interpretam átomos e moléculas a nossa volta que não seriam tão lineares como parecem.
A realidade como a percebemos acontece dentro do nosso cérebro.

O filme mostra um estudo científico em que um cérebro humano é exposto a duas situações, uma promovida pela imaginação da pessoa e outra sugerida em situação real, presencial. O estudo concluí que do ponto de vista do cérebro não é possível distinguir as duas situações, ou seja, a força de nossos pensamentos e imagens mentais é tão poderosa ou afeta tanto nosso cérebro quanto uma situação real.

Água

Massaro Emoto, conduziu um estudo sobre a influência da voz e do pensamento nas moléculas de água. O pesquisador Japonês submeteu as moléculas da água a situações distintas desde palavras de ódio a mensagens de amor ou bênçãos e fotografou o comportamento, cor e formato das moléculas em cada uma das situações. A diferença de aspecto é incrível.

Se nosso corpo é composto por até 70% de água e, a exceção das células nervosas, renovamos todas as células do nosso corpo 3 vezes por ano ou a cada 120 dia, qual será a influência dos pensamentos, imagens, sons que nosso cérebro forma da realidade sobre nosso bem estar e felicidade?
Segundo os especialistas os pensamentos são tão, ou mais importante do que o que comemos ou bebemos.


Será?

Será que ao tomarmos as rédias de nossa realidade estaremos mais próximos das razões de nossa existência?
Será então que a Internet é um meio de emancipação do Homem? Um meio de libertação?
Será que ao reunirmos as percepções de realidade dos saberes subjetivos de cada individuo em comunidades colaborativas chegaremos a Inteligência Coletiva Máxima? O que significa isso?

Perguntas. Lembre-se. O que nos faz evoluir são as perguntas....

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Sustentável Mundo Novo


Como amplamente divulgado na imprensa em geral, o painel de mudanças climáticas (IPCC) da ONU realizado no final de Janeiro em Paris, culpa o Homem, definitivamente pelas mudanças climáticas que o mundo experimentou nas últimas décadas e prevê que o processo intensifique-se. A temperatura do mundo deve subir entre 1,8 e 4 graus até 2100. O principal vilão é a emissão de CO2 que segundo os especialistas, é irreversível.

O conceito de sustentabilidade, didaticamente explicado pelo Al Gore no filme Uma Verdade Inconveniente, remete a equilíbrio, ou ao conceito básico de débitos e créditos.
O Homem está muito negativo na conta corrente de CO2, emitindo muito mais do que a capacidade de absorção da natureza. O CO2 faz parte da natureza e é emitido normalmente na nossa respiração, pelas plantas na ausência da luz ou por queimadas naturais. Anormalmente é emitido em grandes quantidades pelas indústrias, meios de transporte e queimadas desenfreadas que acabam liberando o CO2 absorvido pelas plantas (pela fotossíntese) por milhões de anos.

O conceito de débito e crédito é muito útil e já prolifera em nossa cadeia econômica graças ao protocolo de link tem um teste básico para saber o seu grau de impacto pessoal.

No final das contas, são as árvores os grandes seqüestradores de carbono da atmosfera.
Há desenvolvimentos de processos artificiais de seqüestro e armazenamento de CO2, mas ainda em pequena escala. Mas, de novo, como na conta corrente, não adianta enchermos de crédito se no longo prazo nossa conta vai continuar negativa. Sem dúvida estamos diante de uma mudança de paradigma da sociedade. Precisamos mudar de atitude do lado do débito e emitir menos tanto quanto preservar florestas, plantar árvores, desempermeabilizar o solo do lado do crédito. O Espaço do Saber significa um retorno ao Espaço da Terra.

Na economia da sustentabilidade, estima-se em até 5,5% do PIB mundial o custo para manter entre 445 e 535 partes por milhão (ppm) o nível de CO2 na atmosfera o que implicaria até 2,4 graus a mais em relação à temperatura pré-Revolução Industrial após 2030 segundo a comunidade científica do IPCC.


Proliferam-se artigos também sobre as questões de segurança das mudanças climáticas. Catastrofistas de plantão prevêem guerras e conflitos por recursos naturais. Em recente artigo do O Estado de S.Paulo, Thomas Homer-Dixon, diretor do Centro Trudeu para Estudos da Paz e dos Conflitos, da Universidade de Toronto, pondera que o stress climático pode representar um desafio para a segurança mundial, na medida em que gera escassez de recursos naturais como água doce ou mesmo degradação de terras agrícolas e por conseqüência conflitos por posse destes recursos.

Do outro lado da conta corrente midiática surgem artigos que creditam ao Homem e sua capacidade inventiva as soluções para o Sustentável Mundo Novo.

Os conceitos de conta corrente e de débitos e créditos sugerem equilíbrio. O equilíbrio sustentável. Não há objetivo estático a ser atingido. Há uma soma de conceitos objetivos que procuram um equilíbrio mutante, dinâmico. Entre a própria comunidade científica, há controvérsias sobre os níveis de carbono necessários a um aumento x da temperatura global.

Há, sem dúvida, um desconforto generalizado sobre o afastamento do Homem da natureza, da essência da Terra, do cosmos, ou dos signos. Estará a sustentabilidade sugerindo a subjetividade do Espaço do saber, que como escreveu Pierre Levy, representa um retorno ao Espaço da Terra?

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Espaço do Saber

Grande parte do que há de objetivo no mundo já foi “resolvido” pelo Homem. Grande parte das espécies já foram catalogadas, os terrenos mais inóspitos já foram cartografados, as partículas mais obscuras já foram manipuladas. A velocidade com que conteúdos e informações são digitalizados nos faz imaginar também que em breve grande parte do conteúdo e informação presentes no mundo serão acessíveis na Internet.

Terá chegado finalmente a hora do subjetivo? O momento de explorar o “incatalogável”, de desvendar o “incartografável”, de conviver com o “imanipulável”, de apaixonar-se pelo “indigitável”?





Pierre Levy define esta dimensão como o Espaço do Saber. Em paradoxo, justamente quando achamos que tudo está desvendado descobrimos o Espaço do saber que é justamente a descoberta de que o que importa é o que não é desevendável.

Os 4 espaços segundo o autor e filósofo francês (Do Livro A Inteligência Coletiva)

Terra.
Representa nossa relação com animais, plantas, paisagens, lugares e espíritos.
É o espaço do concreto, o mundo das significações, das linguagens dos processos técnicos e das instituições sociais (a “religião em seu sentido mais amplo). É também o da conexão com o cosmo, planetas, signos e astros. Só os seres humanos habitam sobre a Terra; os animais habitam em nichos ecológicos. O contato com a natureza é bastante estreito. Os modos de conhecimento específicos desse primeiro espaço antropológico são os mitos e os ritos.
Se considerarmos um curriculum vitae, o primeiro item, nosso nome representa uma inscrição simbólica típica do primeiro espaço.









Território
O segundo espaço surge do neolítico com a agricultura, a cidade, o Estado e a escrita.
Ele não suprime a Terra mas tenta sedentarizá-la, domesticá-la. Domestica e cria animais. As riquezas não provêm da colheita e da caça, mas da posse e da exploração dos campos. Neste segundo espaço, os modos de conhecimento dominantes baseiam-se na escrita. Começa a história e o desenvolvimento dos saberes de tipo sistemático, teórico. O centro da existência não é a participação no cosmo, mas o vínculo com uma entidade territorial definida por fronteiras.
É o espaço da burocracia, da política tradicional, do rebuscado, do obscuro. As instituições são igualmente territórios, ou justaposição de territórios, com suas hierarquias, burocracias, sistemas de regras, fronteiras, lógicas de pertença ou exclusão. Ou você está dentro ou fora.
O Território canaliza os rios, seca os mangues, desbasta as florestas, lança pontes sobre os rios. Edifica nos costumes e na alma coletiva dos povos uma pirâmide social. O Território instaura com a Terra uma relação de depredação e destruição. Ele a domina, fixa, encerra, inscreve e mede. Mas os rios transbordam, a floresta avança, os saqueadores do deserto vêm pilhar os tesouros acumulados. A Terra volta sempre, irrompe do meio do Território.
O espaço do Território representa também o esforço do Homem em aprisionar o tempo, perpetuar sua existência.

No curriculum vitae este é o espaço do endereço.

O Espaço das mercadorias

É o espaço do novo mundo tecido pela circulação contínua, cada vez mais intensa, cada vez mais rápida, do dinheiro.



Letras de câmbio, cheques, pagamentos a prazo, títulos, divisas, taxas de lucro, finanças, especulação, cálculo.


Este espaço atravessa fronteiras, abala as hierarquias do Território. A dança do dinheiro traz consigo, em uma evolução acelerada, uma maré ascendente de objetos, signos e homens.


Barcos a vapor, estradas de ferro, automóveis, estradas, acidentes, auto-estradas, cemitérios de carros, caminhões, cargueiros, petroleiros, aviões, metrôs, transportes, circuitos, circulação, distribuição, saturação, rapidez imóvel.


O capitalismo transforma em mercadoria tudo o que consegue incluir em seus circuitos.


Trigo, algodão, tecidos, panos, roupas, medicamentos, conserva, congelados, geladeiras, máquinas de lavar, fraldas, sabões, acumulação de coisas, catálogos, grandes superfícies.


O capitalismo funciona graças ao Estado Territorial.



Minas de ferro, poços de petróleo, refinarias, tratores, trabalho, usinas de gás, centrais atômicas, eletricidade, trabalho, greves, concreto, máquinas automáticas, robôs, trabalho, trabalho, trabalho, desemprego.



Quando o Espaço das mercadorias adquire autonomia em relação ao Território, ele não abole pura e simplesmente os espaços anteriores, mas sujeita-os, organiza-os segundo seus próprios objetivos. O capitalismo é “desterritorializante”.

É o espaço dos fluxos: fluxo de energias, matérias-primas, mercadorias, capitais, mão-de-obra, informação. Os fluxos econômicos pretendem domesticar o Território assim como o Território pretende domesticar a Terra. O Território pretende aprisionar o tempo perpetuando a existência e o Espaço das mercadorias pretende aprisionar o tempo, perpetuando a imagem do Homem em suas fantásticas ferramentas de mídia.
O Espaço das mercadorias é o novo motor da evolução. A riqueza não provém do domínio das fronteiras mas do controle dos fluxos.


É também o Espaço da ilusão. Do Big Brother. Da desconexão entre o ser real e o imaginário. O espaço do eu virtual, desejado, desconectado. O espaço das propagações.
O espaço midiático.


Máquinas de escrever, gráficas, jornais, revistas, fotos, anúncios, publicidade, cinema, astros, telefone, rádio, músicas, foguetes, satélites, computadores, telemática, informação, comunicação, banco de dados, digitalização, carros inteligentes, pesquisa e desenvolvimento, manipulações genéticas, arte, cultura, espetáculo.


Não é bom estar desempregado no Espaço das mercadorias.

No curriculum vitae é o espaço da profissão


Que nova dimensão antropológica permitiria escapar ao redemoinho do capital?
Que movimentos ainda mais rápidos, mais envolventes que os da economia desterritorializarão a desterritorialização? Eis que a camada mercantil, céu da humanidade conteporânea, sofre um furo, abrindo para outro espaço.



O Espaço do saber

É possível fazer surgir um novo espaço no qual se possa ter uma identidade social, mesmo que não se tenha profissão? Talvez a crise atual dos pontos de referência e dos modos sociais de identificação indique o surgimento, ainda malpercebido, incompleto, de um novo espaço antropológico, o da inteligência e do saber coletivos, cujo advento definitivo não está em absoluto garantido por certas “leis da história”. Como os espaços anteriores, o Espaço do saber teria vocação para comandar os espaços anteriores. Com efeito, é das capacidades de aprendizado rápido e da imaginação coletiva dos seres humanos que os habitam que dependem tanto as redes econômicas como as potências territoriais. E, certamente, o mesmo ocorre no que se refere à sobrevivência da grande Terra nômade.

Um tripla convergência faz surgir por trás do nevoeiro informacional, paisagens inéditas e distintas, identidades singulares, específicas desse espaço, novas figuras sócio-econômicas:
1. A velocidade da evolução dos saberes
2. A massa de pessoas convocadas a aprender e produzir novos conhecimentos
3. O surgimento de novas ferramentas do ciberespaço

Como explica o autor, apesar de claramente localizados na história quando dos seus surgimentos, os Espaços convivem paralelamente. O Espaço do Saber, apesar de sempre ter existido, já que somos Sapiens, só a partir de agora, em paralelo a disseminação da Internet toma a dimensão de importância dos espaços anteriores. Também representa um retorno ao primeiro espaço, a Terra.

A Internet não é o espaço do Saber. A Web ou o Ciberespaço potencializa o Espaço do Saber. O espaço do subjetivo.

Nas comunidades colaborativas que surgem na Web 2.0, não importa seu nome, onde viva ou sua profissão mas sua capacidade de contribuir ao processo evolutivo de um projeto, sistema e para a inteligência coletiva que se instaura como resultado da contribuição de cada um dos envolvidos.